SOCIEDADE E ESPAÇO (Geografia geral e do Brasil), foi o primeiro livro didático a incorporar a geografia crítica no Brasil.

Lançado em julho de 1982, na sua primeira edição, ele trouxe inúmeras inovações para a época:

- uma linguagem motivadora e acessível aos alunos de ensino médio (não rebuscada, tal como ocorria nos poucos compêndios de boa qualidade de então; e distante da linguagem superficial e infantilóide que era a tônica em alguns manuais de enorme sucesso nos anos 70);

- textos completos e explicativos no lugar dos tradicionais esquemas que só definem;

- noções e conceitos implícitos (ao invés de explícitos ou "mastigados") para que os alunos os deduzam ou (re)construam;

- e, principalmente, a introdução de novos temas absolutamente originais, que até então nunca haviam sido abordados nos compêndios escolares de geografia: as relações de gênero; geopolítica e geoestratégia; uma análise crítica do capitalismo, da burocracia e do "socialismo real"; o estudo do subdesenvolvimento como parte integrante, e periférica, do sistema global (e não somente como lista de "características" próprias, algo comum nos melhores livros do período); o estudo das civilizações, dos choques culturais e do "novo racismo" (e não apenas do racismo clássico, algo que alguns poucos manuais já traziam); o estudo das industrializações (clássica, planificada e tardia) e dos países subdesenvolvidos industrializados; entendimento da democracia como processo ou "revolução"; e uma nova abordagem da natureza e da geografia física, que pela primeira vez rompeu com o paradigma "a Terra e o Homem" ao começar com o estudo da sociedade (e não o "homem", tal como na geografia tradicional) e terminar com a questão da conservação/preservação da natureza.

A natureza passou a ser enfocada de uma forma inédita, embora hoje quase consensual: não como "palco", tal como no tradicionalismo geográfico; e também não somente como "recursos naturais", tal como na "escola georgeana" tão em voga nos anos 70 (e também em algumas correntes economicistas hoje). Ela passou a ser estudada enquanto paisagem(ns) integrada(s) -- dos ecossistemas à biosfera --, onde os fenômenos possuem dinâmicas próprias e estão interligados, formando conjuntos, mas que sofrem modificações (muitas vezes problemáticas) pela ação humana e, ao mesmo tempo, ela -- a natureza -- tornou-se na sociedade moderna um campo de lutas econômico/políticas.

Este manual é constantemente atualizado e, a cada 4 anos, reformulado. Isso porque a realidade estudada pela geografia é dinâmica e se altera com freqüência: fronteiras são redefinidas e novos Estados surgem (ou, em alguns casos, deixam de existir), os dados estatísticos (sobre populações, economias...) mudam a cada ano, etc. Mas também porque novos enfoques ou abordagem são criados, novos temas passam a merecer uma maior atenção, novas preocupações (tais como a interdisciplinariedade, os temas transversais, o uso do computador e da internet) devem ser incorporadas. E o intervalo de 4 anos foi escolhido devido ao fato de que esse é o lapso de tempo considerado ideal -- inclusive pelos órgãos governamentais que se preocupam com isso -- para que um manual se conserve da mesma forma (podendo haver somente atualizações, mas não uma reformulação), possível de ser usado vários anos seguidos por dois, três ou quatro estudantes.

Nas sucessivas reformulação que ocorreram desde a primeira edição (de 1982), esta obra sempre se manteve extremamente atual e inclusive foi pioneira na incorporação de novos temas: a revolução técnico-científica, a globalização e o sistema financeiro internacional, a crise do mundo socialista e a nova ordem mundial, as modificações no Estado de bem estar social, as perspectivas de cada região do globo para o século XXI, a orientação sexual, etc.

No final de 2005 foi lançada a 44a. edição desta obra Sociedade e Espaço, mais uma vez com uma importante inovação mais pedagógica: questões de reflexão no início de cada capítulo, com uma introdução que parte de mapas, tabelas, gráficos, pequenos textos ou até charges, para o aluno pensar sobre o tema antes que ele seja abordado no capítulo. É um procedimento construtivista que procura levar o educando a se expressar sobre o assunto - o que implica na busca, mesmo que inconsciente, de conceitos pertinentes para se referir ao tema específico - que depois lhe será apresentado com os conceitos científicos. O aluno e leitor vai então refletir sobre as questões propostas - todas com base em algum desafio apresentado, sempre motivador - e que depois serão explanadas om os conceitos apropriados no transcorrer do capítulo do livro.

 

Sociedade & Espaço, Geografia Geral e do Brasil

São Paulo, Editora Ática, 2005, 44a. edição, 472 pgs.

(Para o Ensino Médio)